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NATHÁLIA SECCO músicas - release Alguns trintões, outros quarentões, mas todos criados sob o signo do rock, suspiram pelos cantos: ainda haverá quem toque guitarras, monte bandas, faça canções & barulho quando eles estiverem criando seus filhos? A boa notícia é: sim, haverá. E a melhor notícia é: sim, claro, e quem está mostrando que a nova geração não está aí de brincadeira é... Uma menina! Nathália Secco, 14 anos, vocalista, guitarrista , pianista e baterista que estréia em disco pela Seven Music. Os sinais são de quem acaba de deixar a infância: corpo em ainda mutação, aparelho nos dentes, indisfarçável cara de teen. Mas não se deixe enganar: Nathália tem a firmeza de quem não começou hoje com esse negócio. Aos nove anos de idade, por iniciativa própria, a menina da cidade goiana de Rio Verde (a 220 km de Goiânia e 350 km de Brasília) resolveu que ia estudar música. Entrou em aulas de guitarra, teclado, canto e bateria e acompanhou compenetradamente, no rádio, cds e em shows, os seus ídolos do rock n´roll. Há um ano e meio, com os amigos da escola de música, montou uma banda para tocar em cidades próximas, atacando um repertório cheio de músicas de Janis Joplin, Raul Seixas, Cazuza, Ultraje a Rigor, Evanescence, Nightwish, e até Bob Dylan (Knockin' on Heaven's Door, que os Guns'N'Roses reabilitaram como clássico). Sem dar ouvidos ao que diziam, Nathália seguiu fazendo rock em uma área do Brasil normalmente dominada pelos sertanejos. "Mas os adolescentes aqui gostam cada vez mais de rock", avisa. A sorte começou a sorrir para ela quando Gil Cardoso e Celso Fortes, diretores da Seven Music, foram à Goiânia para ver o show de uma certa banda de country music. O número de abertura era justamente Nathália, cuja música os agarrou de primeira. Algum tempo depois, lá estava ela nos estúdios do selo, no Rio de Janeiro, gravando seu disco, com a produção de Paulo Jeveaux, que já trabalhou com bandas de rock como Seu Cuca, SNZ e Uns & Outros. Ele reuniu um time de compositores de primeira linha do pop nacional e formatou para menina um som radiofônico, mas pesado, bem na linha de bandas como Blink 182 e Foo Fighters. Restou a Nathália soltar a voz - o que ela fez sem pestanejar, dando credibilidade aos versos de cada uma das canções do disco. O abre-alas do trabalho é Tanto Faz, uma daquelas músicas que não precisa ouvir duas vezes para gravar na cabeça. A menina é só atitude diante do namorado vacilão: "vê se vai embora e leva junto a nossa história / vê se vai agora, não vou mais esperar". Em Longe de Você, ela mais uma vez enfrenta com galhardia a desilusão amorosa. "Sozinha, o tempo passa bem mais devagar", admite Nathália, mas sem fraquejar: "Vou aprender a viver longe de você". O coração, é claro, tem limites, e ela se entrega em Volta Pra Mim: "volta pra mim, o filme não acabou / se pra você é o fim pra mim só começou". Mas depois, dá a volta por cima, escaldada e cheia de sabedoria no enfezado rock Rumo: "siga sempre, siga sempre o seu coração / a não ser que ele tenha um péssimo senso de direção". Mesmo quando se arrisca na balada, como em Caixa Postal, Nathália Secco (ah, um aviso: nenhum parentesco com a atriz de mesmo sobrenome) se sai com classe. Na letra, ela fala de um dos dramas modernos da adolescência: a bateria do celular está no fim, e ela vai deixar o último recado para o amado: "Pra mim é muito importante, pra você pode não ser / eu te amo e tudo o que eu preciso é de um minuto de sua atenção", canta ela, com todo o sentimento. De resto, a menina não deixa ficar leve, seja no som ou nas mensagens. "Sou uma menina, mas / não sou tão frágil / nem me engano / tão fácil quanto você pode crer", alerta em A Palavra Sim. E depois descasca em Sou Mais Eu: "eu me conheço muito bem, só faço o que é melhor pra mim". Tanto sabe o que é melhor que acabou ficando com dois dos melhores sucessos dos anos 80 (bem mais velhos do que ela própria, por sinal) para recriar em seu disco, provando que quando a música é boa, não tem essa de idade. E lá foi ela com Tudo Pode Mudar, do grupo paulistano Metrô, e Head Over Heels, das californianas Go Go's, cantada num inglês, que as próprias autoras da canção não teriam pudores em elogiar. Teenagers roqueiras de todo o Brasil, a hora é essa: com Nathália Secco, não há mais porque ficar enchendo a bola só dos meninos. É retocar o batom, afinar a guitarra e, com licença, ir à luta. Silvio
Essinger
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